quinta-feira, 20 de maio de 2010

SOBRE AVATAR

Cena do filme Avatar

Agradar nem sempre é uma tarefa fácil. A trama de Avatar (Avatar, 2009) baseia-se em alguns pontos importantes, são eles: questões ambientais e crítica à prática da guerra com ênfase no poder bélico. Outros aspectos são abordados como a alusão a toda cultura indígena e sua relação com a natureza. A produção de Avatar vem sendo comentada desde o final dos anos 1990 com a grandiosidade financeira que foi Titanic (Titanic, 1997). James Cameron conseguiu agradar, sim, a muitas pessoas que se sensibilizam com a destruição da fauna e flora de um ambiente tão bem montado, ou com quem se identifica com a construção de um personagem e seu relacionamento amoroso. O problema de Avatar está no roteiro. Fraco e teve sua consistência aguada com a preocupação excessiva em chocar com a referência aos problemas ambientais atuais, já em pauta numa perspectiva bem comentada. O roteiro de Avatar está fraco em pontos do tipo personagens rotulados de “mocinhos ou vilões”, o desenvolvimento deles se baseia na construção da historia e deveria crescer ao ritmo do filme. O problema está no fato de que um “final feliz” não exigi um enfraquecimento dos personagens que agem para um final contrario ao feliz. Os “vilões” estão no filme com um objetivo maquiado de representar a consciência malvada de quem quer destruir as florestas e toda sua riqueza. Os pontos importantes não foram integrados ao filme e estão quase que fora dele. Alguns espectadores vêem todo o poder americano e sua provável intenção diante uma riqueza em potencial, no filme, citada como um minério localizado nas regiões habitadas pelos nativos. Outros espectadores vêem toda a nossa responsabilidade enquanto donos desses bens que teoricamente deveriam ser coletivos e não utilizados com propósitos individuais. O roteiro não tem estrutura para quem passa os olhos além desses dois pontos. Quem tenta realizar essa proposta encontra uma bandeja incrivelmente bem trabalhada que ocupa 60% da projeção e está recheada de efeitos gráficos.
Sendo assim, o filme possui questões sócio-culturais que, por falha do roteiro, estão fora do filme e dentro do mesmo só é possível encontrar uma indústria cinematográfica violenta capaz de fazer um investimento de US$ 500.000.000 tornar-se US$ 2.697.332.678, aproximadamente e distribuídos pelo mundo vestindo o rótulo, nada agradável entre os críticos, de blockbuster mais caro já produzido e maior bilheteria já acumulada. Quando o mundo viu James Cameron criar Titanic e todo seu rio de dinheiro posterior, ficou difícil lembrar-se de filmes muito bons como O Exterminador do Futuro (Terminator, The, 1984) e sua primeira seqüência. Do ponto de vista crítico e visando um cinema mais denso e de cunho artístico, o cinema de Cameron acaba ficando rotulado e isso não trás boas conseqüências para as futuras produções.
Como estamos falando de Avatar, o filme é belo na sua produção e na sua intenção, porem é fraco na sua essência. No Oscar, Avatar partiu com 9 indicações e chegou com 3 estatuetas. Não estou questionando os critérios dos responsáveis, mas enxergo essa interpretação de estranheza e credito toda ela ao movimento que foi Titanic. Não é difícil encontrar pessoas questionando o número de Oscar que foi dado a Avatar, porém essa sensação se deve a credibilidade dada a uma produção que ainda nem existia quando Cameron saiu por ai dizendo que ia revolucionar o cinema. Novamente, não estou questionando os critérios do Oscar mais pontuo como negativo para o diretor essa impressão de injustiça pela parte do Oscar para com Cameron, que por sua vez, está condenado a criar uma seqüência que ultrapasse os olhos leigos e chegue aos olhos da academia com uma essência mais trabalhada. Isso se não quiser estragar uma seqüência certa que está por vir. Quando Titanic ganhou 11 estatuetas, Cameron provavelmente viu que o mundo não aceita uma obra menor que outra da grandeza de Titanic tratando-se do mesmo diretor, e soube preenche-la para esse público. Agradar a todos é uma tarefa impossível. Minhas considerações sobre o filme estão entre saber ponderar os efeitos diante do roteiro e considerar com mais firmeza a atuação, mesmo as expressões dos Na’vi estando incrivelmente realistas, as atuações de uma maneira geral foram deixadas um pouco de lado. Os pontos positivos estão mais fortes mesmo na técnica. Que esbanja grandiosidade e fotografia. Prova de que o filme é uma boa experiência está no tempo que apesar de se estender por quase três horas flui de uma maneira muito agradável. Cameron acertou em muitos pontos, resta saber quais eram suas intenções, sendo elas financeiras ou artísticas, ou as duas juntas. Criou um filme de um teor incrivelmente competente no que cabe ao entretenimento. Avatar não está para o cinema como inovador absoluto e nem como divisor de águas. Trata-se de distribuir as suas limitações de acordo com o que o filme pode nos proporcionar.

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