quarta-feira, 16 de junho de 2010

Um suspense muito engraçado e um pelo amor ao cinema

Mia Farrow em The Purple Rose Of Cario

Diane Keaton e Woody Allen em Manhattan Murder Mystery


Mesmo não sendo mais a mesma Annie Hall de 1977, Diane Keaton consegue manter, quase sempre, aquele charme da garota atrapalhada que encantou os olhos do diretor Woody Allen. No filme de 1993, Um Misterioso Assassinato em Manhattan , mais uma vez, com algumas homenagens a grandes nomes do cinema. Percebi alguns elementos básicos de suspense. Como o uso da câmera na mão em algumas cenas de ambiente apertado. Ou a ausência total ou a presença minimalista de trilhas sonoras características. Aquele lance de esquecer algo e voltar para casa, quando na casa tem alguém que não espera ser encontrado e que vai parar em baixo da cama. O filme possui tudo que um suspense competente possuiria se não fosse pela presença categórica dos cacoetes de, nesse caso, Larry Lipton. Entediada da vida, Carol Lipton começa a desconfiar do seu vizinho com relação à morte da esposa dele. Algo que lembra Janela Indiscreta e faz um gênero bem interessante. A cena do elevador é, talvez, a mais inspirada do filme. Quando Allen fica preso com Keaton e quando descobrem a presença de um cadáver no teto do elevador, a luz apaga. Enfim, elogios a parte. Um ótimo roteiro e uma direção como sempre muito competente. Eu estou sempre falando nas referências que Woody Allen costuma fazer a diretores que formaram sua concepção de arte no cinema. Isso não é característica apenas dele. Muitos fazem isso. Alguns não escolhem diretores específicos, porém escolhem o cinema de uma maneira mais abrangente. Utilizando uma metalinguagem um tanto sinuosa, grandes diretores falam de seu amor pelo cinema. Nesse caso, falarei de A Rosa Púrpura do Cairo. Declaradamente, o filme preferido, entre os seus, de Allen. Trata-se de uma história um tanto fantasiosa, onde um ator, simplesmente, sai da tela no meio de uma apresentação e passa a viver um romance com uma espectadora. Mia Farrow não podia estar mais encantadora como a mocinha submetida ao marido desempregado e que possui uma paixão imensa pelo cinema. Indo ver a exibição de um filme que dá nome ao próprio filme. Uma brincadeira com o real e o imaginário que mostra os lados que existem do cinema. Caracterizando-os como real e imaginário. De início, Cecília apaixona-se pelo personagem, depois pelo ator. Na vida da personagem o cinema representa um mundo onde os sonhos estão sempre presentes, mas que podem ser puxados para a realidade de uma maneira um tanto grosseira. Cecília deixa-se levar pela sua inocência e quando confia no ator preocupado com sua carreira, acaba decepcionada e sozinha, voltando para sua vida prejudicada pelo marido e pela crise atual no país. A cena final é dramática e completa. O que eu quero destacar é a presença do cinema como personagem na história. Algo que está presente na vida do diretor. Fazendo um final potencialmente feliz, em função da trajetória fantástica do desenvolver da história, puxar o espectador e a própria Cecília encantada pelo mundo do cinema, trazido para sua vida de maneira atropelada e confusa, transformar-se em um final seco e realista. Woody Allen recusou mudar o final alegando ser o mesmo o ponto principal do filme. Uma construção incrível e um roteiro impecável.

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